KADIWEU (Caduveo)
Os Kadiwéu são a última tribo existente dos famosos Mbaya ou Indios cavaleiros. A literatura histórica certa vez os chamou de "os cavalheiros indianos", devido ao seu status de proprietários de uma vasta manada de cavalos e sua admirável habilidade na arte da equitação.
Eles se estabeleceram no final do século XVIII no Rio Paraguai e atualmente vivem em um território localizado no Estado do Mato Grosso do Sul, em terras que em parte atravessam o Pantanal Matogrossense. De acordo com dados de 2009, existem cerca de 1.800 indivíduos.
A sociedade kadiwéu foi estruturada em três classes hierárquicas: os nobres, os guerreiros e os servos. Esta última praticava a agricultura, produzindo alimentos para toda a sociedade. Os guerreiros saquearam e exigiram tributo de seus vizinhos, e raptaram crianças de outras tribos para adoção.
As decisões políticas e decisões de interesse geral para o grupo estão fortemente centralizadas na figura do capitão e seus conselheiros. O direito de controle é hereditário e hoje este direito é "naturalmente" reconhecido ao bisneto mais velho do "Capitãozinho", o venerável líder do passado. Entretanto, as regras são soltas no sentido do sufrágio, no que diz respeito à liderança: os 'caciques' são guiados em suas decisões por um conselho, composto principalmente por homens mais velhos e experientes. No entanto, deve-se notar que o papel político dos jovens líderes é igualmente forte. Eles ganham prestígio principalmente por causa de seu nível de educação (alguns deles têm certificado de conclusão do ensino médio) e seu domínio da língua portuguesa, o que é muito útil em negociações externas. Algumas famílias kadiwéu ainda vivem em pequenos grupos em lugares do interior da Terra Indígena que estão mais distantes das principais aldeias.
Os kadiwéu, agora muito reduzidos em número, tentam adaptar-se à vida que lhes é imposta pela sociedade como agricultores e pequenos pastores.
Desde o século XVII, eles tinham sido notados por sua agressividade e atitude guerreira: durante séculos se opuseram aos estrangeiros, representando um forte obstáculo à colonização; um marco significativo foi a participação dos kadiwéu na guerra paraguaia. Há inúmeras narrativas históricas que evocam detalhes do evento e do desempenho heróico, e os Kadiwéu recontam sua participação fundamental nessa guerra. Quando lutaram em nome dos brasileiros e ganharam como recompensa o território que hoje habitam.
A Terra Indígena Kadiwéu foi oficialmente reconhecida pelo Governo do Estado do Mato Grosso no início do século XX. Houve a demarcação de suas terras em 1900 e a emissão de um decreto em 1903 que já estabelecia seus limites naturais como os de hoje. Mas as questões fundiárias têm sido uma constante na história do Kadiwéu. Mais recentemente, a demarcação de suas terras, concluída em 1981, tem sido cercada por muita tensão devido à presença de invasores. A partir do final dos anos 50, os criadores de gado começaram a ocupar a terra com a permissão do SPI (Serviço de Proteção aos Índios, o predecessor da Funai de hoje). Em 1961, 61 contratos individuais já haviam sido celebrados com novos inquilinos colonizadores. Esta ocupação mudou significativamente o uso que os indígenas faziam de suas terras. No início dos anos 90, havia 89 fazendas de arrendatários dentro da reserva, cobrindo quase todo o território.
